O papel do cerimonialista tem ganhado uma nova dimensão. Além de conduzir toda a construção da celebração, esse profissional passou a garantir que cada escolha tenha sentido e que o resultado final traduza, de fato, a essência do casal.
Para a assessora e cerimonialista Cinthya Malta, um casamento original começa antes de qualquer decisão estética. “Um casamento autoral nasce da escuta verdadeira. Ele é construído a partir da identidade do casal — seus valores, história e referências — e não de tendências prontas.” É essa escuta que orienta todo o processo, permitindo que cada detalhe seja pensado com propósito, e não apenas reproduzido.
Essa tendência também reflete um comportamento claro entre casais de alto padrão. Produções estereotipadas, com paletas repetidas e experiências semelhantes, têm perdido espaço. O que se busca hoje é autenticidade. “Tenho observado um distanciamento de produções excessivamente padronizadas, onde tudo parece igual”, explica Cinthya. Em vez disso, cresce o desejo por celebrações que revelem identidade, com escolhas que façam sentido para quem está vivendo o momento.
Mas criar algo original não significa abrir mão da elegância. Pelo contrário. A sofisticação, nesse contexto, surge da coerência. “Fugir do clichê não significa romper com tudo, mas escolher com consciência”, destaca. Quando o projeto é bem conduzido, a estética se constrói de forma natural, sem excessos e sem a necessidade de seguir padrões preestabelecidos.
É justamente nesse ponto que o cerimonial assume um papel estratégico. Cabe a ele — ou a ela — traduzir o desejo do casal em linguagem técnica e garantir que todos os fornecedores estejam alinhados ao mesmo conceito. “Quando há direcionamento claro e escuta alinhada, a execução flui com segurança”, afirma Cinthya. Essa condução integrada é o que permite que ideias mais sensíveis e fora do comum se tornem viáveis, mantendo a fluidez de todo o processo.
E, embora a personalização seja um dos pilares desse novo modelo, ela também exige limites. Nem tudo precisa ser diferente; o importante é que faça sentido. “A personalização tem um limite muito importante: o bom senso e a coerência.”
Essa verdade se materializa em histórias reais, como a de Maria Amália e Marcos Paulo, que teve o casamento conduzido por Cinthya. Desde o início, o casal tinha o desejo de criar uma celebração que refletisse suas origens e trajetória. Vinda de uma família italiana, Maria Amália queria trazer para o casamento elementos que representassem essa herança.
O processo foi construído com sensibilidade, a partir de pequenos gestos e decisões significativas. Mas foi em um detalhe, inicialmente tímido, que a essência do casal ganhou forma. Durante uma reunião, Maria Amália compartilhou o desejo de incluir uma tradição italiana: a montagem de um mil-folhas ao vivo, acompanhada por músicas típicas.
“Então vamos fazer”, respondeu Cinthya.
- Fotógrafa: Aline Spezia
A partir daí, o cerimonial assumiu seu papel de viabilizar o que parecia improvável. Pesquisa, alinhamento com fornecedores e construção conjunta transformaram a ideia em realidade. No dia do casamento, o doce sendo preparado ao vivo, ao som de músicas italianas, criou um dos momentos mais marcantes da celebração.
Esse tipo de experiência traduz exatamente o que é um casamento autoral. A proposta é representar, com verdade, a história do casal e criar uma celebração única.
Isso demonstra como o cerimonial deixa de ser apenas um serviço de organização e passa a ser o elo que conecta histórias, pessoas e escolhas. É esse trabalho que garante que tudo funcione e que o evento se transforme, de fato, em um sonho materializado.







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