Antes de escolher as flores, o formato ou até o tamanho do buquê, vale pensar em algo essencial: ele precisa fazer sentido para a noiva. O buquê funciona como uma extensão de quem caminha até o altar e tem a capacidade de traduzir estilo, personalidade e até a atmosfera do casamento em um único elemento.
Na visão da designer floral Janaina Dias, o buquê fala sobre a noiva de maneira muito mais profunda do que se imagina. Isso se manifesta por meio das escolhas de cores, flores, tamanho e formato. Um arranjo mais estruturado pode transmitir sofisticação clássica, enquanto propostas mais orgânicas ou leves sugerem romantismo, naturalidade ou contemporaneidade. Quando a escolha é bem-feita, o resultado costuma ser reconhecido por quem conhece a noiva, e frases como “Nossa, esse buquê está a cara dela” tornam-se comuns.
Mas, assim como acontece com os vestidos, o buquê também acompanha transformações de estilo e comportamento. Nos últimos anos, houve uma mudança clara no perfil das noivas e, consequentemente, nas escolhas florais. Segundo Janaina, em 2023 os buquês desconstruídos ganharam força, acompanhando vestidos fluidos, rendas delicadas e celebrações em fazendas ou mini weddings. Misturas cuidadosas de flores, folhagens e cores criavam composições leves e profundamente autorais.
Já nos casamentos mais recentes, a estética minimalista passou a influenciar diretamente as escolhas. Com vestidos lisos, tecidos mais estruturados e menos renda, os buquês acompanharam esse movimento e retornaram a formas mais clássicas e elegantes. Flores nobres e minimalistas, como copo-de-leite, orquídeas, tulipas e lírios, ganharam protagonismo, muitas vezes em composições predominantemente brancas, sofisticadas e de visual limpo.
Nesse processo, surge uma das maiores dúvidas das noivas: como equilibrar estética, simbolismo e harmonia com o vestido? Para Janaina, essa escolha dificilmente deve acontecer sozinha. Encontrar um profissional experiente é o que permite construir uma tríade essencial entre a beleza do buquê, as flores escolhidas e o styling da noiva.
Esse trabalho exige conhecimento técnico e sensibilidade estética. É preciso compreender durabilidade, sazonalidade, resistência, substituições possíveis e o comportamento de cada flor ao longo do evento. Ao mesmo tempo, também é necessário escutar com calma e atenção os desejos da noiva, transformando suas expectativas em algo viável, bonito e coerente com o restante do visual.
Ao longo de uma década de trabalho, Janaina coleciona histórias que mostram como um buquê pode se tornar um verdadeiro símbolo afetivo do casamento. Entre os mais marcantes, está o desafio de criar um delicado buquê cascata de orquídeas phalaenopsis, extremamente técnico e complexo, enquanto se recuperava de uma lesão na mão. O resultado, segundo ela, foi recompensador.
Outro momento memorável surgiu quando uma noiva insistiu na combinação entre copos-de-leite e orquídeas pintadas, proposta recusada anteriormente por outros profissionais. Em vez de descartar a ideia, Janaina decidiu acolher o desejo da cliente e transformar o improvável em algo harmonioso. O resultado foi um buquê inesperado, elegante e profundamente pessoal.
Também houve desafios de precisão, como o buquê formado por 60 rosas brancas em botão, que não poderiam abrir em hipótese alguma para preservar o formato delicado, sem perder proporção com a altura da noiva. Houve ainda uma composição de tulipas em quatro tonalidades, criada no final da estação de floração, que exigiu uma busca cuidadosa diretamente em Holambra, principal polo produtor de flores do país.
Essas histórias revelam um ponto importante: um buquê marcante não nasce apenas da escolha das flores, mas do cuidado com que ele é pensado e executado. Para Janaina, esse compromisso inclui planejamento, alinhamento e segurança, razão pela qual cada criação é formalizada em contrato, garantindo tranquilidade tanto para a noiva quanto para o profissional.





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